- Entrevista com o fotógrafo Eduardo Romeiro
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Qual é o frequentador de fotologs de bandas independentes de São Paulo que nunca viu uma foto assinada com o nome ORELHA? Este é Eduardo Romeiro, 23 anos, publicitário e um dos mais conhecidos fotógrafos do meio underground.
Quando você começou a fotografar, por quê?
Comecei a fotografar profissionalmente depois que comprei minha primeira máquina, uma Canon 300D. Trabalhei como designer em uma gráfica, juntei a grana de salário e peguei minha primeira máquina. Sempre gostei muito de fotografia, mas nunca tinha tido a oportunidade de ter um bom equipamento na mão, com essa oportunidade não perdi tempo, foi aí que começou tudo.
Como publicitário formado, você poderia trabalhar em várias áreas, porque escolheu a fotografia?
A fotografia sempre me chamou a atenção, seja a fotografia publicitária ou suas outras vertentes. Mesmo formado, decidi ficar nessa área, já que assim também não fugiria muito da minha formação.
Você cursou publicidade em função da fotografia ou uma coisa veio depois da outra?
Pelo contrário, acabei gostando mais de fotografia durante as aulas na faculdade mesmo.
Porque fotografar bandas independentes e não bandas já consagradas na mídia? O retorno financeiro não seria maior?
Com certeza seria. Fotografar bandas independentes foi uma coisa que veio acontecendo naturalmente, fotografando bandas de amigos. Consequentemente fui ganhando certo “nome” no meio independente das bandas e assim fui fazendo contatos.

Em sua opinião, qual é a diferença entre fotografar uma banda independente e uma banda já consagrada?
Na verdade a única diferença são os lugares que você vai fotografar. As bandas consagradas já têm uma infra-estrutura grande de palco, iluminação e etc. As bandas independentes ainda sofrem bastante com a falta de cuidado dos lugares onde tocam, pois os donos das casas parecem não entender que investir em uma boa infra só vai trazer mais lucro pra eles.
Você com certeza já deve ter feito outros trabalhos fotográficos como festas, paisagens, casamentos e etc. No entanto escolheu fotografar com maior frequência bandas independentes, por quê?
Sim já fiz outros tipos de trabalho e ainda faço, só não divulgo tanto quanto os trabalhos com banda. O que eu gosto na fotografia de bandas é que tudo é questão de momento, o que aconteceu não acontece igual de novo, isso pra qualquer área da fotografia me encanta muito.
Neste meio underground existem diversos fotógrafos, alguns profissionais formados e outros porque compraram uma câmera. Você acha que essa grande quantidade de “amadores” prejudica seu trabalho?
Pois é, esse assunto sempre é muito complicado. Não julgo ninguém que está começando no meio da fotografia, pois tudo tem um começo, porém as pessoas têm que entrar pensando em estudo e não só em STATUS. Assim facilitaria muita coisa pra todo mundo.
Você trabalha para alguma agência de notícias ou costuma vender suas fotos?
Atualmente não trabalho pra nenhuma agência, costumo enviar minhas fotos pros amigos da LBVIDZ, com quem sempre colaborei.
Li em seu fotolog que você vende fotos impressas para os fãs. A tabela de preços dos fãs e da agência de notícias é a mesma? Como funciona isso?
Não, geralmente as fotos impressas que vendo acabo cobrando apenas o valor de custos mesmo, impressão e envio. Não é um negócio que eu faça pra ganhar dinheiro, é apenas mais um meio de divulgar minhas fotos, e assim também as fãs das bandas podem ter a foto impressa.
Cite uma foto que você considera inesquecível. Por quê?
Posso citar como “inesquecível” uma foto que tirei do NX Zero, não considero minha melhor foto, mas foi minha primeira foto publicada no fotolog deles e me abriu MUITAS portas.
Você é muito participante em suas redes sociais, tais como fotolog, orkut, twitter e etc. Qual é a sua opinião sobre esses novos meios de comunicação? Até que ponto eles são positivos e quando se tornam negativos para o seu trabalho?
São positivos porque facilitam a comunicação entre as pessoas, facilitando a divulgação do meu trabalho. Como ponto negativo posso citar que às vezes falta o “filtro” pra alguns assuntos.
Você é um dos poucos fotógrafos que possui um fã-clube, geralmente são as bandas quem os têm. Você acha que esse grupo de fãs surgiu como um reconhecimento do seu trabalho ou porque você faz parte da equipe de uma banda?
Na verdade acho isso muito estranho, mas claro que eu só tenho a agradecer por isso, já que isso de qualquer forma demonstra que as pessoas têm gostado do meu trabalho. Com certeza algumas pessoas chegam a mim devido ao trabalho com as bandas que elas gostam, mas de qualquer maneira elas reconhecem meu trabalho e isso é muito gratificante.
Quais as marcas de câmeras mais utilizadas pelos fotógrafos do underground? Por quê?
Creio que a galera tem usado bastante Canon, dificilmente vejo pessoas com outras marcas. Acho que por escolha mesmo, nada de especial. Afinal a melhor peça da câmera continua sendo o fotógrafo.
Quais as características essenciais que uma máquina fotográfica precisa ter para que as fotos de um show em um lugar terrível (como a Tribe House) fiquem boas?
Não só pra Tribe, mas pra qualquer lugar desprovido de iluminação o que conta é ter uma boa lente com abertura de diafragma legal, e também é sempre bom contar com uma máquina que não traga muito ruído nas fotos.
Por Raquel Belém
Woohoo, legal!